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sábado, 27 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 13

depositphotos

O CAMPO EXISTENCIAL DOS HUMANOS EXÓTICOS

Marcos Monteiro

Essa estranha eleição desenhou um campo existencial de muita vulnerabilidade, porque parece que um grupo de Caçadores se organiza de diversos modos para buscar o extermínio dessa população diversificada e muito grande, a Raça de Humanos Exóticos.

Merecem sofrer violência, bandidos, homossexuais e feministas, à margem da lei ou de códigos comportamentais; negros, índios e outras etnias identificáveis, á margem de padrões étnico-raciais; sem-terras, sem-tetos, sem-direitos, especialmente quando se organizam e lutam; e todas e todos que se identificam com alguns ou algumas dessas, e até os trabalhadores, ameaçados em direitos adquiridos.

São muitos os seres humanos vivendo sentimentos de apreensão e terror por pertencerem a algum desses grupos. Mas há muita gente lutando contra esse estado de sofrimento e desejando construir um mundo melhor. Nesse campo, eu me identifico também como um humano exótico. Afinal, eu sou pastor batista e sou socialista, e apoio todas e todos que sofrem e lutam por mais amor e mais justiça. Por tudo isso, sem medo e sem ódio, voto Haddad, voto 13.

Recife, 27 de outubro de 2018


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 12

cut

MAIS DIREITOS PARA TRABALHADORES

Marcos Monteiro

Tirar mais direitos de trabalhadores e trabalhadoras tem sido projeto antigo. Cobra-se muito de quem não tem e quase nada de quem tem, podem pesquisar. Defender a soberania e nossas riquezas naturais nunca foi o forte dos governos brasileiros, e o petróleo está cada vez mais vulnerável depois da descoberta do pré-sal.  Esse projeto econômico ultraliberal nunca deu certo em lugar nenhum e podemos retomar o projeto desenvolvimentista com algumas correções.

Os trabalhadores e trabalhadoras também podem ser classificadas como Humanos Exóticos, e a caça é aos seus direitos. O governo do PT foi um capitalismo de centro e não o comunismo de que vem sendo acusado. Aliás, nunca existiu a aplicação de um projeto realmente socialista, o que chamamos de socialismo real foi um tipo de imperialismo classificado de diversas maneiras por diversos estudiosos, mas dentro do imaginário capitalista.

Pois bem, a receita econômica que se segue é de um capitalismo predador, devorador de direitos e conquistas dos trabalhadores, como aposentadoria, férias e décimo-terceiro. Sempre se põe a culpa no trabalhador, mas a história mostra que distribuição de renda é melhor para a economia do que acumulação desenfreada.  Então, por mais direitos para os trabalhadores e trabalhadoras, sem ódio e sem medo, voto em Hadad, voto 13.

Recife, 26 de outubro de 2018


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 11

novaescola

EDUCAÇÃO INFANTIL

Marcos Monteiro

Ítalo tinha quatro anos quando não se coube em si. E não teve ninguém seduzindo, nem igreja, nem amigas, amigos, escola ou igreja lhe compreendendo. Quem consegue? Pai e mãe se desesperavam e Ítalo queria se matar. O pai desistiu e saiu de casa, mas a mãe foi acompanhando até aceitar, ajudar e admitir que Ítalo se cabia melhor como Talia e tem dezoito anos agora, livre, leve e linda.

Educação sexual é luta de educador há muitos anos, contra uma sociedade que não se entende. Bernadete apanhou o que pode e o que não pode até se tornar Belisário e se sentir mais humano. E não teve escola, nem igreja, foi luta solitária, por cuja causa leva cicatrizes no corpo e na alma. Não se ensina ninguém a ser gay, lésbica, travesti ou trans, o que se pode ensinar é a respeitar e a se amar as pessoas e as crianças em seu longo processo de descoberta de corpo e de identidade sexual.

Sou amigo de muitas LGBTT e já ouvi histórias o suficiente de tentativas de exorcismo, tentativas de cura e tentativas de suicídio, mas também testemunhos de libertação pela autorização do amor exótico. Esse grupo grande de Humanos Exóticos tem sido o alvo principal de caçadores e o Brasil é o país que mais mata homossexuais. Eles estão com muito medo. A educação é o projeto de ensinar crianças a amar, não a atirar. Pelas mães de crianças exóticas, sem medo e sem ódio, eu voto em Hadad, voto 13.

Recife, 25 de outubro de 2018

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 10

sitedecuriosidades

PARA APRENDER A AMAR

Marcos Monteiro

A ira é um dos sentimentos naturais e em uma sociedade capitalista, em que o mérito, o narcisismo e o consumismo são valores e a competição, o individualismo e o sucesso são processos de crescimento, a ira se torna estrutural, quase ontológica. O ódio é o cultivo e o aperfeiçoamento da ira.

Nesse tipo de sociedade, estamos irados contra a desigualdade econômica que nos atinge, contra o poder que nos esmaga e contra a solidão que nos ameaça. A ira é uma emoção perigosa e fomos convidadas a aplicar a ira, aprendendo a odiar. Nos ensinaram a odiar o PT, depois aos homossexuais, aos negros, aos índios, às feministas, aos sem-terra, aos sem-teto, aos sem-direitos.

Mas o que queríamos mesmo era mais igualdade salarial, mais poder de decisão e mais amor, muito mais amor. Então precisamos urgente reaprender a amar e vencer esse clima de insegurança e intolerância. Para retomar o caminho do amor, sem medo e sem ódio, voto em Haddad, voto 13.

Recife, 24 de outubro de 2018


terça-feira, 23 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 9

mamaetagarela


OS PARIDORES DE PLANTÃO

Marcos Monteiro

As mulheres são metade da humanidade, e fazem parte da Raça de Humanos Exóticos. Pelo que entendi da declaração de um candidato, são os homens que parem a humanidade, sozinhos, as mulheres são recipientes vazios. E só devem parir homens, mulheres só aparecem quando eles fraquejam.

Por serem exóticas devem ganhar menos e não devem receber licença-maternidade (afinal, não são os homens os parideiros?). Mais exóticas ainda são as feministas, essas devem sofrer dos caçadores torturas e violências, estupro não, somente para as bonitas.

Quando a opressão dos caçadores sobre a metade da humanidade desaparecer, a igualdade será mais igual e as mulheres terão mais oportunidades de decisão. Contra a chapa de militares autoritários, voto em um professor educado e em uma jornalista feminista inspirada. Sem ódio e sem medo, voto em Haddad 13.

Recife, 23 de outubro de 2018


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 8

conceito.de

UMA ELEIÇÃO DE PERDAS E GANHOS

Marcos Monteiro

Não quero perder essa eleição, mas só quero ganhar, na esperança de um mundo em que os dois verbos, perder e ganhar, desapareçam. Fomos educados para competir, suplantar, acumular, e isso se chama ganhar. Na solidariedade, ninguém perde e ninguém ganha, todas e todos vivem o melhor possível.

Os Caçadores de Humanos Exóticos são o subproduto dessa lógica do perde-ganha e uma eleição que poderia ser simplesmente isso, uma escolha, tornou-se uma guerra. A desigualdade social envenena com intolerância e discriminação e impede que a diversidade trazida pela Raça de Humanos Exóticos seja percebida com seu esplendor.

A guerra eleitoral deseja exterminar pessoas e direitos, especialmente das trabalhadoras. Sem o verbo perder ou ganhar, transformados em curiosidade linguística de um português arcaico, todas e todos poderiam escolher, como estou fazendo, sem ódio e sem medo, Haddad 13.

Recife, 22 de outubro de 2018



domingo, 21 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 7

plataforma21

A SOLIDARIEDADE DA INSÔNIA

Marcos Monteiro

Tenho muitas amigas e amigos que não conseguem dormir, todas pertencentes à Raça de Humanos Exóticos. Para elas, já está aberta a temporada de caça e se o Caçador Maior for eleito, pensam que vai piorar. Mas tenho outros que dormem tranquilamente porque acreditam que a sua própria humanidade não se encontra ameaçada.

Então, nessa estranha eleição, posso dividir os eleitores entre os que dormem e os que sofrem insônia. Quando pergunto a alguém se está dormindo bem, praticamente descubro o candidato pela resposta. Eu não estou dormindo bem e minha insônia é solidária. Quando meus amigos se sentem caçados, eu sinto a minha humanidade aviltada e sinto imensamente se você está conseguindo dormir bem.

Estar sempre acordado era vigilância de Zeca, carpinteiro desempregado que dormia na rua de Feira de Santana e de Beto, adolescente homossexual, quando descobriu que o pai comprou um revólver. Zeca era o morador de rua mais esfaqueado de Feira de Santana. Por causa dele e de outras, quero ficar acordado o mais possível, enquanto esse clima de terror estiver presente. Então, pela volta do sono tranquilo, sem ódio e sem medo, voto Haddad, voto 13.

Recife, 21 de outubro de 2018


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 5

sputinikbrasil


VOTO EM BRANCO, VOTO EM HADDAD

Marcos Monteiro

A preta do metrô estava com o rosto enfadado e dizendo que não tinha quem fizesse ela votar naquele branco debochado. O deboche de um candidato contra toda a Raça de Humanos Exóticos, contra as mulheres, contra os trabalhadores, contra os quilombos, contra os índios, contra os lgbtt, tinha deixado ela com a cara azeda.

Mas então me surpreendeu dizendo que ia votar em branco e lembrei daquela história de que eleição é coisa de branco. E não é mesmo? Negros têm menos acesso à educação, ao trabalho e à política. Têm mais acesso à prisão. Mas também lembrei que na questão educacional, o candidato debochador também debocha das quotas. E talvez ela tenha razão: eles que são brancos que se entendam.

Mas pensei melhor e descobri que tem um branco que quer mais salário, mais educação, mais direitos, mais igualdade, mais justiça para todas e todos, especialmente para os injustiçados por uma civilização escravagista e uma população racista. Então, se é pra votar em branco, votem no branco Haddad. Por mais políticas públicas para mais justiça racial ele tem o meu voto. Sem ódio e sem medo voto em Haddad. Voto 13.

Recife, 19 de outubro de 2018


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 4

javiersánchez

PELA ESPIRAL DO AMOR

Marcos Monteiro

Encontrei Dom Helder na camisa de Fernando, no supermercado, com a seguinte frase: “Carregar pessoas nos braços não quero, são pesadas, prefiro carregá-las no coração”.

Fernando é um espírita que ama Dom Helder que era católico, bispo chamado de subversivo, porque amava os pobres e os assim chamados bandidos. Todos dois também fazem parte da Raça de Humanos Exóticos, que não merecem viver, e um dia um matador foi contratado para destruir Dom Helder, mas mudou de ideia, história bonita que muita gente conhece.

Dom Helder gostava de falar contra a espiral de violência e eu carrego Dom Helder no coração, contra essa espiral de ódio dessa estranha eleição, e penso na necessidade de uma nova, a espiral do amor. Então, sem ódio e sem medo voto Haddad. Voto 13.

Recife, 18 de outubro de 2018

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 3

ospontosdevista

QUERO MORRER DE AMOR

Marcos Monteiro

A conversa surgiu com o passageiro ao lado, do ônibus urbano quase vazio, ele estava triste. A filha havia morrido de depressão há dois meses, mas era história estranha de amor. Morreu porque o marido morreu de câncer e ela não conseguia dormir nem comer e repetia que queria ir se encontrar com ele, e foi.

História de negros e negras, cor da Raça de Humanos Exóticos, a qual enfrenta a violência do racismo, disfarçado ou explícito, mas estranha história de amor à vida e amor ao amor. Pretas e pretos sofrem preconceito, humilhação e violência, simbólica ou explícita, mas amam.

Nessa estranha eleição, em que um candidato faz discursos preconceituosos e faz apologia da tortura e da violência, quero defender somente a tortura da saudade e a violência do amor. Se tenho de morrer um dia, quero morrer amando, quero morrer de amor. Sem ódio e sem medo voto Haddad, voto 13.

Recife, 17 de outubro de 2018


terça-feira, 16 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 2

pragmatismopolítico



Marcos Monteiro

CONTRA A CAÇA DE HUMANOS – 2

Quando Antônio acordou no hospital, estava com a cabeça lascada. Ele é pai de família, alto, mas é negro e dorme na rua, portanto faz parte dessa Raça de Humanos Exóticos. Um caçador aproveitou de seu sono e lançou um paralelepípedo sobre sua cabeça.

Essa eleição é muito estranha. Há um candidato prometendo mais armas e os Caçadores de Humanos Exóticos estão exultantes e prometendo caçar como nunca. Se o caçador de Antônio tivesse esperado teria conseguido talvez caçar com mais objetividade.

Conheço Antônio e a sua monstruosa capacidade de trabalho. Ele é coletor de lixo, mas não tem casa, portanto é vulnerável. Não é do tipo de ter medo, mesmo depois do episódio, mas sabe que não pode dormir, porque os caçadores podem chegar a qualquer momento. Portanto, contra a abertura da temporada de caça aos humanos, sem ódio e sem medo, voto Haddad , voto 13.

Recife, 16 de outubro de 2018

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

DIÁRIO DE UMA ELEIÇÃO ESTRANHA 1

crks
ENTRE O BEIJO E A BALA

Marcos Monteiro

Essa é a mais estranha das eleições de que participei. Um candidato libera o beijo, o outro promete bala, e eu descubro estarrecido que muitos seres humanos são contra o beijo e a favor da bala. Especialmente os evangélicos. Muito estranho esse evangelho.

Mas tentam me explicar que são contra somente o beijo da estranha Raça de Humanos Exóticos e que os evangélicos amam os humanos exóticos. E acho estranho esse modo de amar, em vez de beijo, bala. Os humanos exóticos que conheço têm pai, mãe, amigos, amigas e medo, muito medo.

Tenho muitas amigas e amigos exóticos. Todas estão com medo, muito medo e sou solidário. Por causa disso quero eleger o beijo, nunca a bala. Sem ódio e sem medo, voto Haddad. Voto 13.

Recife, 15 de outubro de 2018