sábado, 20 de abril de 2019


ORAÇÃO
Senhor!
Há dias em que a jornada fica difícil, mas eu não quero deixar de caminhar. Peço-te que me ajudes a prosseguir e me levantes se eu cair.
Há dias que mais parecem noites sem fim, e a escuridão me dificulta os passos. Peço-te que ilumines o caminho para que eu não pare de andar.
Há dias em que não consigo pensar, tal o desânimo que invade todo o meu ser. Peço-te que me renoves o desejo de refletir e a beleza de me sentir motivado.
Há dias em que perco a vontade de viver, e sinto o desejo de desaparecer. Peço-te que me faças sentir que a vida é um dom divino, mas é uma responsabilidade minha.
Djalma

Oração original feita em 27.04.2017; revisada em 10.062018, domingo a noite.



A FUGA DO LEÃO
O guarda do circo, um dia,
Por descuido da gaiola
Em que o velho Leão vivia
Deixa aberta a portinhola.
- “ Já que me  surge a ocasião, -
Disse o leão, rugindo – piro,
Vou por aí, dar um giro”.
- “Para onde vais?”, berra a Iena.
- “Ora, vou ao Coliseu
Comer os cristãos na Arena”

- “Coitado, fazes-me pena.
És mesmo um grande sandeu!
Pois pensas que nestas eras
Inda se faz como outrora,
Quando se davam às feras
Cristãos com a língua de fora?

Então não sabes que agora,
No mundo inteiro
É proibido matar gente
Como dantes, à vontade,
Sem que primeiro
O permita a Autoridade?
És mesmo um leão inocente...

Cuidado, não faças isso;
Vais imprudente,
Ficar de mãos
Abanando, sem serviço;
Tolice é sair daqui,
Deixa por lá os cristãos
Que se comam entre si.

(texto muito antigo no meu arquivo. É de autoria de Miguel Rizzo Júnior, do livro Realidades Espirituais, cuja data de publicação não mais consegui resgatar. )


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DEUS OUVE, DEUS VÊ

O que fazer na Semana Santa? Foram muitos os planos que, com o passar dos dias foram sendo desfeitos, por motivos, razões e situações nem sempre fáceis de explicar.

Mas o fato concreto é que na Sexta-feira, dia 19, na companhia do filho Fabrício e sua filha Morena, levando comigo,  a convite, a irmã Marisa e o teólogo norte-americano Allen Calahan, fomos acampar na roça.

A roça, pra quem ainda não conhece, é a Fazenda Lagoa Nova, localizada no km. 94 da BA 093, entre  os Municípios de Araçás e Entre Rios, aqui na Bahia, na região denominada de Catana, por causa do Rio Catana que lhe empresta o nome.

A roça, de encontros saudosos da família, e de flores e plantas que alegram a vida e que fazem lembrar Vone, esposa amada, que de tudo cuidava com carinho e amor, a fim de acolher os familiares dela e meus, e amigos que lá apareciam para uma convivência repleta de afetividade e diversão, como montar  nos animais, acompanhar o traquejo do gado e relaxar nas redes ao redor da casa, contemplando o entardecer e, muitas e muitas vezes, o encanto do luar.

Pois foi  assim, afinal, a Semana Santa. E foi também assim que na noite de sexta-feira peguei na biblioteca que mantenho lá,  o livro de Milton Schwantes, “Deus vê, Deus ouve”, e comecei a reler alguns trechos, quando me dei conta de que o autor falecera há alguns anos. Parei, então, pra pensar nele. Milton Schwantes, teólogo, biblista, Pastor luterano, amigo fraterno e companheiro de  caminhada de muitos anos nas reuniões da Pastoral Protestante do CEDI-Centro Ecumênico de Documentação e Informação, no Rio de Janeiro, nas décadas de oitenta e noventa. E me lembrei, logo em seguida, do esforço que fiz para trazê-lo à Bahia, para falar no ITEBA-Instituto de Educação Teológica da Bahia, do qual fui um dos fundadores, ao lado dos reverendos João Dias de Araújo  e Ramon Coutinho.

E à saudade e à lembrança de Vone, também falecida há pouco mais de dois anos, tive que acrescentar as lembranças da convivência inspiradora com Milton. E, de repente, saudades e lembranças cresceram e me curvei diante de Deus e chorei. Na madrugada mesmo enxuguei o pranto  e agradeci a Deus a vida deles, a vida de Jesus, sacrificado inocentemente numa sexta-feira, que a cristandade conseguiu transformá-la em santa.

E foi assim, desse modo, na santidade desta sexta-feira, que eu me rendi, ainda bastante sofrido fisicamente, ao Deus, Senhor da vida, agradecendo-Lhe por poder viver este momento, até o dia em que, também eu, passe a ser lembranças e saudades.

Fazenda Lagoa Nova, Sexta-feira Santa, madrugada de 19 de abril de 2019 .  

domingo, 14 de abril de 2019


A CRUELDADE DA MORTE
Há muitas definições a respeito da morte, que vão da incredulidade à manifestações ortodoxas, fundamentalistas e até bizarras em toda a história da humanidade.
É fato que a morte não faz escolha, não define o tempo apropriado, não usa critérios, não faz concessões. Daí a sua perversidade, a sua crueldade, a sua malignidade. Antepassados nossos bem distantes acreditavam que a morte era consequência da ação de um inimigo ou de algum espírito mau.
Longe de proporcionar alegria, ela só oferece sofrimento e dor.  Tira do convívio dos pais o filho ou a filha gerada e criada com amor e carinho; leva para o túmulo os pais adorados, socorro presente e constante dos familiares; separa com sofrimento e dor parceiros de longos anos, marcando em definitivo quem fica em meio à perplexidade, ao desamparo e a amargura; exclui do mundo homens e mulheres que estão sendo significativamente portadores de saber e de produção fundamentais para a sociedade; e afasta definitivamente do povo personagens símbolos de dedicação, amor e solidariedade a causas e projetos de bem-estar à sociedade.
Quem dera que houvesse uma doutrina religiosa satisfatória, uma explicação razoável, um argumento convincente, uma esperança acalentadora, algo que proporcionasse paz e tranquilidade, saudade consoladora, fé que curasse a alma ferida.
Mas não há certezas sobre o porque da morte. Reencarnacionistas dizem acreditar na volta futura; religiões mais antigas, como as de matriz africana, creem na alma dos antepassados que protege e ampara os seus; os cristãos – nem todos – acreditam na vida eterna diante de Deus.
E a morte, indiferente a tudo e a todos, vai semeando dor e tristeza pelo mundo afora. O luto é o preço de quem fica, de quem perde o ser querido e amado.
Bem, não há mesmo solução. A morte é a única certeza que há na vida. Ela chega mais cedo ou mais tarde, levando consigo pedaços de nós e deixando conosco a dor da saudade.
Eu tenho vivido esta experiência na morte de minha mãe, depois na morte de meu pai, e pouco tempo depois, em anos mais recentes, na morte de três irmãos, todas elas com imenso sofrimento, mas há poucos dias a morte levou minha companheira de quarenta e seis anos de caminhada juntos, e aí o meu coração ficou despedaçado. Estou lutando com todas as forças e com o que me resta de fé, contando os dias e as noites, na expectativa de uma iluminação divina que me faça descansar e viver em paz os dias que ainda me restam.
Djalma, 
fevereiro de 2017                                                                                                 
IGREJA ORTODOXA COPTA

Quando eu estava fazendo a Pós-Graduação em História e Cultura da ´
África, um colega de turma me perguntou o que eu sabia sobre a Igreja Copta. Preparei uma informação pra ele, que transcrevo aqui.

A Igreja Copta é uma Igreja Ortodoxa. De acordo com a tradição, foi estabelecida pelo Apóstolo São Marcos no Egito, em meados do século I (aproximadamente no ano 60). É a Igreja nacional do Egito

Segundo também a tradição, os primeiros cristãos no Egito eram principalmente judeus de Alexandria, tais como Teófilo, a quem São Lucas dedica o capítulo introdutório do seu evangelho. Quando a Igreja foi fundada por São Marcos, durante a época do Imperador Romano Nero, um grande número de egípcios, contrariamente a gregos e judeus, abraçou a fé cristã. Esta espalhou-se pelo Egito em poucas décadas, tal como se pode verificar  nos escritos do Novo Testamento encontrados em Bahnasa, no Egito Médio, e que datam de cerca do ano 200, e de um fragmento do Evangelho segundo São João, escrito em língua copta, encontrado no Egito Superior e datado da primeira metade do II Século.

No IV Século um sacerdote vindo do que é hoje a Líbia, chamado Arius, iniciou uma discussão teológica sobre a natureza de Jesus Cristo que se espalhou por toda a cristandade. O Concílio de Nicéia (325), convocado pelo Imperador Constantino para resolver a questão, levou à formulação do Credo de Niceia, ainda hoje recitado por todos os cristãos, e cujo autor é Santo Atanásio, Papa e Patriarca de Alexandria.

O número de cristãos de rito copta é superior a 40 milhões,  estando distribuídos principalmente pelo Egito (10 milhões), Etiópia (30 milhões), Eritreia (2 milhões), e também por Israel e Sudão. Os coptas celebram o Natal em 7 de janeiro.

O símbolo desta igreja, em vez da tradicional cruz cristã, é o ankh, ou cruz ansata, antigo sinal egípcio de vida e de fertilidade.

Pastor Djalma Torres
Salvador, 2 de dezembro de 2006.