domingo, 14 de abril de 2019


A CRUELDADE DA MORTE
Há muitas definições a respeito da morte, que vão da incredulidade à manifestações ortodoxas, fundamentalistas e até bizarras em toda a história da humanidade.
É fato que a morte não faz escolha, não define o tempo apropriado, não usa critérios, não faz concessões. Daí a sua perversidade, a sua crueldade, a sua malignidade. Antepassados nossos bem distantes acreditavam que a morte era consequência da ação de um inimigo ou de algum espírito mau.
Longe de proporcionar alegria, ela só oferece sofrimento e dor.  Tira do convívio dos pais o filho ou a filha gerada e criada com amor e carinho; leva para o túmulo os pais adorados, socorro presente e constante dos familiares; separa com sofrimento e dor parceiros de longos anos, marcando em definitivo quem fica em meio à perplexidade, ao desamparo e a amargura; exclui do mundo homens e mulheres que estão sendo significativamente portadores de saber e de produção fundamentais para a sociedade; e afasta definitivamente do povo personagens símbolos de dedicação, amor e solidariedade a causas e projetos de bem-estar à sociedade.
Quem dera que houvesse uma doutrina religiosa satisfatória, uma explicação razoável, um argumento convincente, uma esperança acalentadora, algo que proporcionasse paz e tranquilidade, saudade consoladora, fé que curasse a alma ferida.
Mas não há certezas sobre o porque da morte. Reencarnacionistas dizem acreditar na volta futura; religiões mais antigas, como as de matriz africana, creem na alma dos antepassados que protege e ampara os seus; os cristãos – nem todos – acreditam na vida eterna diante de Deus.
E a morte, indiferente a tudo e a todos, vai semeando dor e tristeza pelo mundo afora. O luto é o preço de quem fica, de quem perde o ser querido e amado.
Bem, não há mesmo solução. A morte é a única certeza que há na vida. Ela chega mais cedo ou mais tarde, levando consigo pedaços de nós e deixando conosco a dor da saudade.
Eu tenho vivido esta experiência na morte de minha mãe, depois na morte de meu pai, e pouco tempo depois, em anos mais recentes, na morte de três irmãos, todas elas com imenso sofrimento, mas há poucos dias a morte levou minha companheira de quarenta e seis anos de caminhada juntos, e aí o meu coração ficou despedaçado. Estou lutando com todas as forças e com o que me resta de fé, contando os dias e as noites, na expectativa de uma iluminação divina que me faça descansar e viver em paz os dias que ainda me restam.
Djalma, 
fevereiro de 2017                                                                                                 

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